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Estudantes lançam candidatura de Ouro Preto à sede da VI Bienal da UNE

 
02/03/2008 Manifesto publicado no portal da UNE

A diretoria da União Nacional dos Estudantes (UNE) aprovou o tema da VI Bienal de Arte, Ciência e Cultura: a formação do povo brasileiro. Após 10 anos da sua primeira edição, o evento se consolida como um dos principais momentos de discussão e apresentação de produções da cultura nacional.

A Bienal resgata o passado da UNE. Na década de 60, o Centro Popular de Cultura (CPC), dava à entidade o papel de precussora do mais importante movimento cultural da época. Lançou diversos artistas que se consagraram nacionalmente como Gianfrancesco Guarnieri, Ferreira Gullar, Cacá Diegues e tantos outros. Tal protagonismo demonstrou a importância dos movimentos sociais em se apropriarem das produções culturais como veículo de denúncia e mobilização.

Compreendendo a importância de se debater o tema aprovado e levando em consideração a riqueza cultural de sua região, os estudantes mineiros mobilizados em torno da União Estadual dos Estudantes (UEE-MG) lançaram uma campanha para que a próxima Bienal, em janeiro de 2009, aconteça em Minas Gerais, especificamente na cidade de Ouro Preto.

Leia abaixo o manifesto da campanha, redigida por Léo Rodrigues:

BIENAL EM PAUTA, OURO PRETO CANDIDATA!!!

Diversas são as vertentes que, num processo histórico secular, configuram e moldam a nossa cultura, construindo a identidade do povo brasileiro. A miscigenação entrelaçou costumes e manifestações diversas, encravando-as no seio popular, contra os interesses dos constantes opressores; colonizadores, ditadores, elitistas, etc.

A mais atual força opressora é o imperialismo que, sob o pretexto da globalização, sustenta uma cultura alienadora, entorpecente e que não desperta pensamento crítico. Longe de ser nacional, conduzida por segmentos que pregam um “multiculturalismo” de influência americana, suas obras rebaixam nossa auto-estima ao se distanciar da formação do povo brasileiro.

Na década de 90, as forças conservadores cravaram suas garras no Brasil sob o ímpeto da política neoliberal, aprofundando desigualdades entre povos que se constituiram a partir do mesmo processo de miscigenação colonial. Tempos difíceis que fazem lembrar o retrato do Brasil traçado pelo grande cineasta Glauber Rocha na década de 60, segundo o qual “a fome sentida não era compreendida”. O brasileiro lamentando suas misérias e o estrangeiro cultivando o sabor destas, não como sintoma trágico, mas como dado de seu campo de interesse. O “surrealismo tropical” na visão do estrangeiro e a “vergonha nacional” na interpretação de brasileiros.

Mas após períodos sombrios, sempre se revelou a resistência do povo na construção de sua própria identidade. Através da mobilização e do resgate da auto-estima, nascem as feijoadas da senzala, o “futebol arte” da periferia, os sambas de Chico Buarque em protesto à ditadura e outro tantos elementos da cultura nacional. O povo rasga o raquitismo cultural proveniente da dependência econômica e política. O paternalismo se rompe; a miséria deixa de ser lamentada para ser encarada como fato social passível de ser superado. A “Revolução Caraíba” preconizada pelo Manifesto Antropofágico de Oswald de Andrade vai se aproximando. A formação da identidade nacional digere e assimila diversas contribuições exteriores, mas rejeita os “importadores da consciência enlatada”.

Após o período de maior opressão do neoliberalismo, faz-se necessário inaugurar um novo momento da construção da cultura popular. O esforço de transformar a universidade num centro de revelação das manifestações do povo brasileiro. O esforço de inaugurar um novo momento da produção cultural, visando superar os nossos problemas ao invés de lamentá-los. O esforço de formar uma consciência nacional crítica, criativa, popular e autônoma. A exaltação da nossa cultura única, de raízes indígenas, européias e africanas.

Em Minas Gerais, se faz visível a riqueza dessa cultura brasileira. Destino de viajantes e aventureiros de Portugal em busca de ouro, escravos da África e mais tarde imigrantes italianos e alemães para as lavouras de café. Cada um destes povos trouxe um pouco de sua cultura e religião para essa terra, que se juntaram para construir uma identidade única. A grande extensão e sua posição central, conectando diversos estados e regiões do Brasil, fizeram de Minas um estado de passagem para viajantes de todo país que também traziam, assim como os tropeiros, suas experiências e culturas que se difundiram aos poucos nas montanhas das Gerais. Com toda essa mistura, formaram-se os principais símbolos da cultura mineira como: os congados dos negros católicos da áfrica; as catiras de origem ibérica, as modas de viola, as folias toadas e festejos dos mais diversos, cada uma dessas manifestações concentrando-se numa das diversas regiões do estado. Como diz o grande escritor mineiro Guimarães Rosa: "Minas são muitas, poucos são os que conhecem as mil faces das gerais".

A VI Bienal de Arte, Ciência e Cultura da UNE levará o tema da formação do povo brasileiro. Nesse sentido, os estudantes de Minas Gerais se candidatam a sediar o evento. Ouro Preto, terra dos inconfidentes, de Tiradentes, símbolo maior da luta pela libertação do nosso povo. Estudantes do Brasil, a VI Bienal pede passagem!!!

 

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O EDITOR


Léo Rodrigues

Repórter da Agência Brasil, formado em Comunicação Social pela UFMG em 2010. Ex-jornalista da TV Brasil e do Portal EBC, onde também atuou como editor de esportes. Diretor de documentários cujo foco de interesse é a cultura popular, entre eles os longas "Aboiador de Violas" e "Pra fazer carnaval mais uma vez". Saiba mais

 

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