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Porta-voz da natureza

 
Léo Rodrigues | 13/10/2008 Notícia publicada pelo jornal Boletim, da UFMG

Devastação ambiental é denunciada por obras de Frans Krajcberg expostas no Museu de História Natural

Uma folha sem vida sobre um terreno repleto de pedrinhas de minério. A imagem chama atenção pela beleza, mas causa perplexidade por aquilo que retrata. Esta é uma característica das obras do artista plástico e escultor polonês Frans Krajcberg. Seu intrigante trabalho poderá ser conhecido, até o dia 16 de dezembro, no Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG, onde a exposição Minas... paisagens devastadas oferece ao público a oportunidade de apreciar uma escultura e 30 fotografias. As imagens denunciam os impactos sofridos pelo meio ambiente na região de Itabirito, alvo da ação de mineradoras.

Obras de Frans Krajcberg denunciam a devastação das montanhas mineiras

Obras de Frans Krajcberg denunciam a devastação das montanhas mineiras

Segundo Fabrício Fernandino, diretor do Museu e professor da Escola de Belas-Artes, a obra de Krajcberg busca conscientizar as pessoas pela sensibilidade. “A arte trabalha no universo subliminar, criando uma interface que emociona. Neste sentido, sua mensagem pode ser mais contundente e eficaz. Krajcberg utiliza esse potencial com maestria, ao captar imagens belas que comovem e, ao mesmo tempo, carregam uma denúncia”, explica Fabrício.

Triste retrato

Krajcberg vive em um sítio em Nova Viçosa (BA), onde preserva resquícios da Mata Atlântica. Antes morou cinco anos em uma caverna do Pico de Catabranca, na região de Itabirito, a 55 quilômetros de Belo Horizonte. Foi onde produziu, a partir de vestígios das matas queimadas, suas primeiras esculturas que se tornariam internacionalmente famosas.

O trabalho exposto no Museu foi realizado a partir de visita ao local onde viveu. Chocado com a devastação das paisagens por mineradoras, Krajcberg registrou em fotografias um ambiente que exclui o verde e colore as águas de vermelho. “Deu pena ver tanto massacre só para ganhar mais dinheiro. Onde estão os que gostam do estado? Não tem voz que proteste?”, queixou-se o artista, em entrevista concedida ao jornal Estado de Minas no dia 5 de outubro.

Nascido em 1921 na Polônia, Krajcberg iniciou os estudos artísticos com Willi Baumeister, mestre da Bauhaus, escola de vanguarda cultural alemã que funcionou até 1933. Na Segunda Guerra Mundial, foi perseguido pelos nazistas por causa de sua origem judaica. Tendo perdido a família no Holocausto, ele foge para a Rússia e se incorpora ao exército que invadia a Alemanha. No pós-guerra, Krajcberg muda-se para Paris e estabelece contato com o meio cultural, relacionando-se com Picasso, Braque e outros artistas.

Consagração

Sem falar português e com pouco dinheiro no bolso, chegou ao Brasil em 1948, fugindo dos horrores que presenciou na Europa. Três anos depois, Krajcberg consegue trabalho de montador na I Bienal de São Paulo. Integrado ao circuito artístico nacional, ele vence diversos concursos que lhe permitiriam alçar vôos mais altos, chegando a participar, em 1964, da Bienal de Veneza, onde foi premiado e reconhecido mundialmente. Voz presente nos debates ambientais, Krajcberg engajou-se na defesa do meio ambiente brasileiro. Realizou viagens à Amazônia e ao Pantanal, onde fotografou desmatamentos e recolheu materiais para suas obras, como raízes e troncos calcinados. O artista polonês ainda denunciou queimadas no Paraná e criou uma campanha de preservação das tartarugas marinhas que desovam no litoral baiano.

 

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Léo Rodrigues

Repórter da Agência Brasil, formado em Comunicação Social pela UFMG em 2010. Ex-jornalista da TV Brasil e do Portal EBC, onde também atuou como editor de esportes. Diretor de documentários cujo foco de interesse é a cultura popular, entre eles os longas "Aboiador de Violas" e "Pra fazer carnaval mais uma vez". Saiba mais

 

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