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Quadrinhos ambientalistas

 
Léo Rodrigues | 15/06/2009 Notícia publicada pelo jornal Boletim, da UFMG

Monografia vale-se da HQ para chamar atenção para a devastação do Cerrado

Concluir a graduação produzinho uma história em quadrinhos. A ideia pode não ser inovadora em se tratando de alunos de Escola de Belas Artes. Mas quando um estudante do curso Geografia envereda-se por esse caminho, original e inusitado são os melhores adjetivos para qualificar a iniciativa. No final do ano passado, Evandro Alves apresentou em sua monografia uma proposta de educação ambiental através de uma história em quadrinhos. O objetivo é chamar atenção para os problemas enfrentados pelo Cerrado.

Quadrinhos de Evandro AlvesO trabalho com quadrinhos não é novidade para Evandro Alves. Ele já publicou tiras nas revistas Mad e Grafitti e nos jornais Estado de Minas e Diário da Tarde. Hoje, trabalha como freelancer no Super Notícias, desenhando quadrinhos para o caderno de esportes. Mas a novidade da monografia é que Evandro Alves conciliou o prazer que tem em produzir quadrinhos com um tema ambiental que julga ser de suma importância.

A monografia envolve 20 tiras de humor, nas quais são abordadas questões como a ocupação cada vez mais intensa do bioma e os consequentes impactos ambientais e culturais. Seu trabalho propôs ainda formas de uso dos quadrinhos em salas de aula. A sugestão é que o professor, conjugando os desenhos, um questionário e ideias próprias, promova uma discussão e reflexão das questões socioambientais do Cerrado. Evandro Alves busca agora dar visibilidade ao trabalho. Ele disponibilizará a monografia e as tirinhas no seu blog http://quilombomoderno.blogspot.com.

Tensão ecológica

A preocupação levantada de Evandro Alves tem razões de sobra. Com 204 milhões de hectares, o Cerrado é o segundo maior bioma brasileiro, só perdendo em extensão para a Floresta Amazônica. Sua área de ocorrência está distribuída por 10 estados. O Cerrado é também o único dos biomas do Brasil que faz limite com todos os outros biomas, por isso mantém áreas de tensão ecológicas de extrema complexidade e biodiversidade.

Apesar dessa riqueza, o Cerrado vem sofrendo nos últimos 50 anos uma devastação sem precedentes. Em 2004, o IBGE apontava que aproximadamente 40% de sua área original já se encontrava desmatada. “O bioma sofre uma destruição silenciosa que, na maioria das vezes, passa despercebida. Essa invisibilidade dos problemas do Cerrado está associada, geralmente, a uma visão depreciativa, como se ele fosse uma formação florestal que não conseguiu se desenvolver”, afirma Evandro Alves. Segundo ele, o próprio Estado, muitas vezes, reforçou um estereótipo de Cerrado, associado a uma vegetação pobre, de árvores feias e retorcidas. “Uma das explicações para este tipo de atitude é a pressão que as elites agrárias sempre fizeram para expandir a monocultura pela região Sudeste”, alerta Evandro Alves.

Mas ele não encara o meio ambiente como algo intocável. Ao contrário, reconhece que o homem e o ambiente são indissociáveis, mas acredita que é possível que as ocupações se deem de forma sustentável. “A mentalidade precisa mudar. Há estudos que apontam que, se nada for feito, o Cerrado estará extinto em 2030”, conta Evandro Alves. Na sua opinião, políticas atuais são tímidas. “Foram criados alguns parques nacionais, onde o Cerrado é preservado. Isto é muito positivo, mas é insuficiente porque grande parte está desprotegida”, complementa.

 

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Léo Rodrigues

Repórter da Agência Brasil, formado em Comunicação Social pela UFMG em 2010. Ex-jornalista da TV Brasil e do Portal EBC, onde também atuou como editor de esportes. Diretor de documentários cujo foco de interesse é a cultura popular, entre eles os longas "Aboiador de Violas" e "Pra fazer carnaval mais uma vez". Saiba mais

 

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