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São João Del-Rei recupera bordados de João Cândido, líder da Revolta da Chibata

 
Léo Rodrigues | 23/04/2013 - 16:46 Notícia publicada pelo Portal EBC

As obras estavam depositadas em uma sala sem condições propícias para a preservação e passarão por um processo de restauração. Elas fazem parte do acervo do Museu Tomé Portes Del-Rei, que será reaberto ao público.

Bordados de João Cândido fazem parte do acervo do Museu Tomé Portes Del-Rei, que estava desativado e será reaberto ao público

Bordados de João Cândido fazem parte do acervo do Museu Tomé Portes Del-Rei, que estava desativado e será reaberto ao público

O marinheiro João Cândido, protagonista de um movimento que amedrontou toda a cidade do Rio de Janeiro em 1910, tinha o hábito de bordar. A evidência concreta está em São João Del-Rei (MG), onde se encontram duas toalhas bordadas pelo líder da Revolta da Chibata. Elas fazem parte do acervo do Museu Tomé Portes Del-Rei, que estava desativado e será reaberto ao público.

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  • Segundo o novo secretário de cultura de São João Del-Rei, Pedro Leão, os bordados se constituem como um documento histórico para compreender o período e enriquecem o patrimônio artístico da cidade. Ele conta que as obras foram encontradas no dia 2 de janeiro. "Elas estavam em uma sala úmida, sem o menor cuidado de preservação, juntamente com outras telas e fotografias. Imediatamente foi feito o translado pra uma sala maior, mais arejada e limpa. Também já contratamos um técnico que será responsável pela higienização e restauração do acervo", explicou Pedro Leão.

    João Cândido liderou a Revolta da Chibata entre os dias 23 e 26 de novembro de 1910. Indignados contra o uso da chibata e outras práticas humilhantes da Marinha brasileira, os marinheiros assumiram o controle de quatro embarcações. Entre elas, estavam os encouraçados recém-incorporados São Paulo e Minas Gerais, que possuíam 84 canhões e figuravam entre os mais poderosos do mundo, com um poder de fogo que poderia causar sérios estragos na cidade.

    Veja galeria de fotos das obras do Museu Tomé Portes Del-Rei
    (passe o mouse para ver legenda e clique para ampliar)

    Bordada pelo marinheiro João Cândido, a toalha intitulada "Amôr" integra o acervo de um museu no município de São João Del-Rei (MG). Bordada pelo marinheiro João Cândido, a toalha intitulada "Adeus do Marujo" integra o acervo de um museu no município de São João Del-Rei (MG). Bordada pelo marinheiro João Cândido, a toalha intitulada "Adeus do Marujo" integra o acervo de um museu no município de São João Del-Rei (MG).
    Detalhe da assinatura de João Cândido na toalha bordada "Adeus do Marujo". Detalhe do bordado "Adeus do Marujo", onde está inscrita a data do início da Revolta da Chibata: 22 de novembro de 1910. "Braço de justiça", peça do Museu Tomé Portes Del-Rei. O braço esculpido em madeira integrava a balança de arrecadação do quinto do ouro. Vinda de Portugal, a peça era usada na Casa de Fundição de São João del-Rei, no século XVIII.
    Acervo do Museu Tomé Porte Del-Rei inclui ainda um chapéu de guarda estilo francês e espadas republicanas. Retrato da Baronesa de Cana-Verde, mais uma obra do Museu Tomé Portes Del-Rei.

    Fotos
    Luciano Oliveira
    Secretaria de Cultura de
    São João Del-Rei

    O clima tenso que tomou conta do Rio de Janeiro se agravou ainda mais com alguns disparos esparsos, em direção a navios e fortalezas. Apesar do acordo com o governo, que incluía a anistia aos rebelados, os marinheiros permaneceram presos por muito tempo e João Cândido foi expulso da Marinha.

    Restauração

    A restauração de todo o acervo é parte do projeto inscrito pelo município no PAC das Cidades Históricas, programa governamental coordenado pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). São João Del-Rei apresentou uma demanda de R$19 milhões para a recuperação de todo seu patrimônio histórico e cultural.

    OUÇA: Historiador José Murilo de Carvalho analisa bordados de João Cândido

    "Uma vez aprovado o projeto, nós acreditamos que o museu será reaberto num prazo de 3 anos. São mais ou menos 800 obras. Talvez o restauro de algumas delas pode demorar mais. É necessário um conhecimento técnico para dar uma estimativa mais exata", diz Pedro Leão. Ele conta que também está sendo elaborado o Blog do Acervo, que conterá informações históricas da obras.

    O secretário ressalta que, embora algumas obras tenham sido perdidas devido à deterioração, os bordados de João Cândido encontram-se em bom estado. "Um deles apresenta uma mancha, talvez proveniente da umidade ao qual eles estavam expostos. Mas acredito que ela será removida", disse.

     

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    O EDITOR


    Léo Rodrigues

    Repórter da Agência Brasil, formado em Comunicação Social pela UFMG em 2010. Ex-jornalista da TV Brasil e do Portal EBC, onde também atuou como editor de esportes. Diretor de documentários cujo foco de interesse é a cultura popular, entre eles os longas "Aboiador de Violas" e "Pra fazer carnaval mais uma vez". Saiba mais

     

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