Portfólio do editor em

Belo Horizonte,

Mapa do Blog | Avise Erros | Contato

COMUNICAÇÃO | SOCIEDADE | CULTURA | ESPORTE

 

CULTURA


Eventos culturais Compartilhar

Exposição na UFMG traz releitura de Portinari e Drummond sobre Dom Quixote

 
Léo Rodrigues | 09/09/2016 - 10:02 Notícia publicada pela Agência Brasil

Mostra traz 21 desenhos em lápis de cor de Cândido Portinari. Ele retrata a trajetória de Dom Quixote, personagem mais famoso do escritor espanhol Miguel de Cervantes. Para cada desenho, Carlos Drummond de Andrade dedicou uma glosa poética.

A mostra traz 21 desenhos de Cândido Portinari, cada uma acompanhada da glosa poética dedicada por Drummond | Foto: Léo Rodrigues / Agência Brasil

A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) lançou na noite de ontem (8) a exposição Dom Quixote – Portinari e Drummond: releituras de Cervantes, obras dos três gênios reunidas em um só local. A mostra traz 21 desenhos, entre originais e reproduções, do artista modernista brasileiro Cândido Portinari. Ele retrata a trajetória do fidalgo Dom Quixote de La Mancha, personagem mais famoso da obra do escritor espanhol Miguel de Cervantes. Para cada desenho, Carlos Drummond de Andrade dedicou uma glosa poética, que também é apresentada na exposição.

A mostra ficará no saguão do prédio da reitoria da UFMG até o dia 30 de novembro e pode ser visitada gratuitamente de segunda a sexta-feira, das 8 às 18h. Ela marca também os 400 anos da morte de Miguel de Cervantes. O escritor espanhol é apontado como um dos mais importantes nomes da história da literatura mundial. Sua principal obra, Dom Quixote de La Mancha, é considerada precursora do romance moderno.

A iniciativa se viabilizou a partir de uma doação. O professor aposentado do Departamento de História da Universidade de São Paulo (USP), José Carlos Sebe Bom Meihy, entregou à UFMG um exemplar raro da publicação Dom Quixote: Cervantes, Portinari, Drummond. A obra, impressa em 1978 no Rio de Janeiro pela editora Fontana, contou com apenas mil exemplares. Cinquenta deles foram assinados por Drummond, entre os quais o que foi doado pelo professor da USP.

"Foi um presente de casamento da minha mulher, então também tem uma carga afetiva muito grande. Mas eu sempre achei que não era justo represar na minha casa um material tão importante. São desenhos maravilhosos, com predomínio do amarelo, o que é uma raridade para quem trabalha com lápis de cor", diz José Carlos.

A mostra ficará no saguão do prédio da reitoria da UFMG até o dia 30 de novembro | Foto: Léo Rodrigues / Agência Brasil

A obra traz os 21 desenhos de Portinari em tamanho original e as respectivas glosas poéticas de Drummond. "É o olhar do artista sobre o olhar do artista. E é uma exposição importante neste momento, porque são artistas que acreditam na utopia e no poder transformador da boa vontade. A proposta de Dom Quixote era justamente de fazer o bem. Num cenário de caos como este pelo qual passa o Brasil, é inspirador", diz Fabrício Fernandino, curador da exposição e professor da Escola de Belas Artes da UFMG.

Fabrício conta que, no fim de sua vida, Portinari estava intoxicado com metais pesados presentes nas tintas, como chumbo, cádmio e prata. "A morte dele vai ocorrer inclusive em consequência disso. Proibido pelos médicos de pintar e angustiado para criar novas obras, ele começa a desenhar. Daí surgem as ilustrações em lápis de cor sobre a história de Dom Quixote. O trabalho fica em seu poder até ele falecer, quando seu filho vende a uma editora para publicação", explica. Portinari morreu em 1962, deixando obras que estão expostas em diversos museus de destaque no Brasil e no mundo. A sede da ONU, em Nova York (Estados Unidos), abriga os famosos painéis Guerra e Paz.

A mostra da UFMG apresenta ainda a história de Dom Quixote por meio de dois trabalhos: uma projeção de gravuras do francês Gustave Doré, ilustrador de uma edição do livro de Miguel de Cervantes, e esculturas de José Amâncio de Carvalho, professor aposentado da Escola de Belas Artes da UFMG. Também estão expostas obras que compõem a coleção de raridades da UFMG associadas ao escritor espanhol e são exibidos documentários sobre Portinari e Drummond.

 

comments powered by Disqus

 

O EDITOR


Léo Rodrigues

Repórter da Agência Brasil, formado em Comunicação Social pela UFMG em 2010. Ex-jornalista da TV Brasil e do Portal EBC, onde também atuou como editor de esportes. Diretor de documentários cujo foco de interesse é a cultura popular, entre eles os longas "Aboiador de Violas" e "Pra fazer carnaval mais uma vez". Saiba mais

 

O BLOG


O trabalho do jornalista nunca é isento. Trata-se de um exercício constante de escolhas. Para onde apontar a lupa? De que ângulo posicionaremos a lupa? Este espaço surge a partir do interesse do editor em concentrar o seu acervo de produções jornalísticas e, ao mesmo tempo, propor coberturas e reflexões sobre comunicação, sociedade, cultura e esporte. Entenda melhor a proposta

 

QUEM É O EDITOR | PROPOSTA DO BLOG | MAPA DO BLOG | AVISE ERROS | CONTATO

Alguns direitos reservados
Todo o conteúdo deste site está publicado sob a Licença Creative Commons Atribuição 3.0 Brasil exceto quando especificado em contrário.
Permitida a cópia, redistribuição e alterações desde que se conceda os devidos créditos e mencione caso alguma adaptação tenha sido realizada.
Saiba mais como funciona a Licença Creative Commons Atribuição 3.0 Brasil