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Música que ironiza o termo "cidadão de bem" vence concurso de marchinhas em BH

 
Léo Rodrigues | 12/02/2017 - 16:08 Notícia publicada pelo Agência Brasil

Realizado anualmente no início do carnaval de Belo Horizonte, o tradicional Concurso de Marchinhas Mestre Jonas tem por hábito consagrar composições sarcásticas e politizadas, que fazem referência a algum episódio público do país.

O tradicional Concurso de Marchinhas Mestre Jonas, que ocorre anualmente no início do carnaval de Belo Horizonte, fez na noite de ontem (11) a sua final. A música baile do cidadão de bem  foi a vencedora. Os compositores Helbeth Trotta e Jhê Delacroix levarão um prêmio de R$ 6 mil.

Segundo a letra da marchinha, o cidadão de bem protesta contra a corrupção, mas comete diariamente ilicitudes, como estacionar em lugar proibido. Também defende a morte de criminosos, enquanto se diz a favor de vida e contra o aborto. "Nós fizemos uma pesquisa sobre o tema e descobrimos várias curiosidades. Por exemplo, cidadão de bem era o nome de um jornal da Ku Klux Klan, que no início do século passado defendia nos Estados Unidos a supremacia branca e praticava atos violentos contra negros", conta Helbeth Trotta.

De acordo com o músico, o concurso acontece num momento em que os foliões de Belo Horizonte estão cheios de energia para celebrar o carnaval. "Ele abre as festas na cidade. Então é o momento ideal, quando estão todos na curiosos pelas letras. Porque a marchinha é uma crônica sobre comportamentos, um retrato do dia a dia da sociedade."

Outras quatro marchinhas também foram premiadas. Solta o canoPinto por cima Puxa saco e Nesse Carnaval. Seus compositores receberão, respectivamente, os valores R$ 3 mil, R$ 2 mil, R$ 1,5 mil e R$ 1 mil. O juri foi composto pelo presidente da Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte (Belotur), Aluizer Malab; pela cantora Aline Calixto; pelo compositor Pablo Castro; pelo diretor da Rede Minas, Kiko Ferreira; e pelo produtor cultural Patrick Lommez.

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  • Organizado desde 2012 pela produtora Cria Cultura, o concurso tem por hábito consagrar composições sarcásticas e politizadas, que fazem referência a algum episódio público do país. "Já é um evento do calendário da cidade. Fica todo mundo esperando pela marchinha vencedora", diz o folião Guto Borges. Ele é um dos compositores de Imagina na Copa,  a vencedora em 2013 que aborda conflitos sociais decorrentes da realização Copa do Mundo no Brasil, tais como as desapropriações.

    Nas outras edições, se sagraram vencedoras as marchinhas Na Coxinha da Madrasta , em 2012; O Baile do Pó Royal, em 2014; Rejeitados de Guarapari , em 2015; e Não Enche o Saco do Chico, em 2016.

    Paralelo ao concurso, a prefeitura de Belo Horizonte também promete lançar em breve a sua própria marchinha. Segundo Aluizer Malab, presidente da Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte (Belotur), a letra buscará alertar os foliões para a importância do combate ao trabalho infantil e à exploração sexual durante os dias de carnaval.

    Carnaval

    O carnaval de Belo Horizonte deu sua largada ontem (11). De acordo com o calendário oficial da cidade, serão 416 desfiles, organizados por 350 blocos de rua cadastrados pela Belotur. A programação inclui ainda a apresentação das escolas de samba e de blocos caricatos e shows espalhados por quatro palcos. É possível consultar as atrações por meio da página da prefeitura ou do aplicativo para dispositivos móveis.

     

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    Léo Rodrigues

    Repórter da Agência Brasil, formado em Comunicação Social pela UFMG em 2010. Ex-jornalista da TV Brasil e do Portal EBC, onde também atuou como editor de esportes. Diretor de documentários cujo foco de interesse é a cultura popular, entre eles os longas "Aboiador de Violas" e "Pra fazer carnaval mais uma vez". Saiba mais

     

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