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Concentração de investimentos na Copa garante 42% dos recursos para o Sudeste

 
Léo Rodrigues | 28/04/2014 - 14:45
* Colaborou Daniel Isaía
 

Segundo especialista da UFRJ, em nível municipal também há concentração de investimentos

A verba investida pelo poder público brasileiro para a realização da Copa do Mundo não teve uma divisão democrática. Dos R$ 25,5 bilhões previstos na última Matriz de Responsabilidade divulgada pelo Governo Federal, 42% estão previstos para São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. É o que aponta um levantamento do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (Ippur/UFRJ).

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    Segundo o coordenador do estudo Orlando Alves dos Santos Júnior, não se pode dizer que o direcionamento dos recursos corresponda à real necessidade das cidades. "É uma divisão política. E isso é facilmente comprovado quando você percebe o movimento que a Matriz de Responsabilidades fez nesses últimos anos. A entrada e saída de investimentos não obedeceram qualquer critério racional e não há explicações sustentáveis para que uma ou outra obra fosse priorizada", argumenta. Na análise do pesquisador, prevaleceu a força de governos locais e a maioria das decisões foram frutos de avaliações caso a caso.

    Mas a concentração não ocorre apenas em escala nacional. Dentro das cidades-sedes algumas áreas da cidade foram privilegiadas. "Não é a região metropolitana do Rio de Janeiro que está se beneficiando. Porque se investem na estrutura de mobilidade urbana na cidade pólo desconsiderando as relações e conexões com as demais localidades da metrópole, como a Baixada Fluminense ou o leste metropolitano? Sob o ponto de vista do planejamento urbano é evidente que vamos ter um efeito perverso no futuro decorrente dessa concentração de recursos", analisa Orlando Alves.

    O pesquisador considera que os projetos geralmente buscam fortalecer centralidades já existentes ou revitalizar outras que estão decadentes. "Mas mesmo quando cria novas centralidades, esses investimentos parecem estar associados À elitização de certas áreas da cidade", complementa.

    Atrasos

    Mesmo recebendo 42% dos recursos, a Região Sudeste enfrenta problemas para concluir as obras a tempo do evento. Em visita ao Itaquerão nesta terça-feira, 22, Jérome Valcke concluiu que o estádio paulista estará pronto "no último minuto". No Rio de Janeiro, a Infraero admitiu em fevereiro que o Aeroporto do Galeão não conseguirá finalizar suas obras completamente até o Mundial. Pelas novas previsões, as intervenções no Terminal 1 serão entregues com um ano e cinco meses de atraso. Na mobilidade urbana, a Prefeitura do Rio corre contra o tempo para entregar a Transcarioca, que ligará via BRT a Ilha do Governador e o Aeroporto do Galeão à Barra da Tijuca.

    Para Luís Otávio Araújo, engenheiro civil e professor da UFRJ, os atrasos geralmente se dão pela ausência de qualidade na etapa de elaboração do projeto, o que é um problema crônico da engenharia civil brasileira.

    - Ouça áudio de Luís Otávio Araújo

    “Para você partir para um processo construtivo de grande vulto e de grande complexidade, você precisa antecipar a construção na forma de projeto. Tem que detalhar tudo aquilo que será executado. Mas o que temos visto no Brasil é que se parte para a construção sem ter toda a informação previamente definida. Isso vai gerar uma série de improvisos que deverão ser resolvidos no próprio calor da obra. O engenheiro executor passa a ser engenheiro resolvedor de problemas", explica Luís Otávio.

     

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    Léo Rodrigues

    Repórter da Agência Brasil, formado em Comunicação Social pela UFMG em 2010. Ex-jornalista da TV Brasil e do Portal EBC, onde também atuou como editor de esportes. Diretor de documentários cujo foco de interesse é a cultura popular, entre eles os longas "Aboiador de Violas" e "Pra fazer carnaval mais uma vez". Saiba mais

     

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