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Fifa não explica como irá explorar estúdios de TV de R$3,8 milhões em Copacabana

 
Léo Rodrigues | 24/04/2014 - 17:38
* Colaborou Thiago Pimenta
Versão do repórter de notícia publicada pelo Portal EBC

Erguida com dinheiro público, megaestrutura abrigará 10 estúdios de televisão e terá a praia como cenário

Estrutura metálica custará RS 3,8 milhões aos cofres públicos.

Estrutura metálica custará RS 3,8 milhões aos cofres públicos.
foto: Léo Rodrigues

Quem está acostumado a transitar pelo Posto 6 em Copacabana convive agora com um intruso na paisagem. Uma enorme estrutura está sendo erguida para abrigar um complexo com dez estúdios de televisão. Dali, emissoras estrangeiras poderão gravar seus programas aproveitando o cenário da mais famosa praia da cidade. O que surpreende é o volume dos recursos: a Rio Eventos, empresa pública da Prefeitura do Rio de Janeiro, está investindo R$3,8 milhões na estrutura temporária que será administrada pela Fifa. Por sua vez, a entidade máxima do futebol se nega a esclarecer se irá desembolsará algum recurso adicional e também se haverá cobrança das emissoras que ali se instalarem.

A assessoria de comunicação da Fifa também não respondeu quais redes de televisão usufruirão do espaço. A BeIN Sports, canal esportivo do grupo Al Jazira, deve ser uma delas, pois parte de sua equipe estará hospedada no hotel Sofitel, em frente ao local. Já a ESPN Internacional apostou numa estrutura própria próxima dali, no Clube dos Marimbás, onde também terá a vista de Copacabana.

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  • A omissão de informações por parte da Fifa é criticada por Pedro Trengrouse, professor de direito da Fundação Getúlio Vargas e consultor da ONU para a Copa. Para ele, o Governo tem o dever de cobrar da Fifa todos os esclarecimentos. A entidade deveria explicar, por exemplo, se vai alugar esses espaços para as emissoras, se vai lucrar em cima do dinheiro público e se esse recurso já tem alguma destinação específica. É possível que a utilização do espaço privilegiado tenha sido negociado em particular com cada emissora durante a comercialização dos direitos de transmissão do evento esportivo. A venda desses direitos irão render à Fifa cerca de US$ 2,2 bilhões.

    Polêmica

    A polêmica com as estruturas temporárias para a Copa não é nova. Em outubro do ano passado, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) ingressou com uma Ação Civil Pública exigindo da Fifa e do Comitê Organizador Local o ressarcimento de R$33,6 milhões referente aos gastos efetuados pelo poder público em instalações temporárias erguidas para a Copa das Confederações. Não há previsão para conclusão do processo. Segundo a assessoria de imprensa do MPRJ, os réus deverão apresentar a defesa em uma próxima audiência.

    Na ação, os promotores Flávio Bonazza de Assis e Patrícia do Couto defendem que a Fifa agiu de forma ilegal. Três meses antes do anúncio das cidades-sedes escolhidas, a entidade exigiu dos estados a assinatura de um aditivo ao Contrato de Estádio onde constam o custeio destas estruturas. Não houve especificação de valores e nem um dimensionamento do impacto financeiro. Os governos estaduais assinaram por pressão, temendo ficarem de fora da lista das cidades-sedes. Para os dois promotores, esses gastos não são de interesse público e nem deixam legado à população.

    Às vésperas do centenário de Dorival Caymmi, seu monumento  perde a companhia da vista da praia

    Às vésperas do centenário de Dorival Caymmi, seu monumento perde a companhia da vista da praia. | foto: Léo Rodrigues

    O presidente da Sociedade Amigos de Copacabana, Horário Magalhães, engrossa as críticas. Em sua opinião, a estrutura deixa a paisagem mais feia. "É uma contradição, porque o discurso é de oferecer a beleza natural da praia como cenário para as imagens que vão rodar o mundo. Mas os turistas que vierem aqui estarão privados da completa vista de Copacabana", alega.

    Horácio Magalhães estranha a facilidade com que a Fifa consegue recursos público, enquanto não há previsão de verbas para a nova sede da 5º Região Administrativa da Prefeitura do Rio, que administra Copacabana e Leme. “O órgão está funcionando de forma precária no 2º andar do 19º Batalhão da Polícia Militar”, reclama.

    Uma outra observação do presidente da Sociedade Amigos de Copacabana diz respeito à visibilidade do monumento de Dorival Caymmi, que ficou escondido do visual da praia. O sambista completaria 100 anos no próximo dia 30 de abril. Turistas que quiserem fotografar a escultura terão como pano de fundo as estruturas metálicas do complexo da Fifa.

    Stand Up Paddle

    As barraquinhas de Stand Up Paddle também correram o risco de sumir do cenário do Posto 6. De origem havaiana, o esporte consiste em remar de pé em cima de uma prancha e está se tornando cada vez mais popular no mundo, ganhando adeptos também no Rio de Janeiro.

    Na semana passada, agentes da Secretaria de Estado de Ordem Pública do Governo do Rio (Seop) estiveram no local e pediram que os responsáveis pela atividade retirassem os pertences até o último sábado devido à construção da estrutura para os estúdios de TV. A reportagem entrou em contato com a assessoria de comunicação da Seop que disse desconhecer a ação.

    Nesta quarta, os responsáveis pelas barraquinhas de Stand Up Paddle esclareceram que o imbróglio foi resolvido. Eles foram avisados pela Seop de que os agentes que estiveram no local tomaram a iniciativa sem o conhecimento do secretário Leandro Matieli Gonçalves, que prontamente os desautorizou.

    - Confira também matéria da TV Brasil, com produção de Léo Rodrigues e reportagem de Thiago Pimenta:

     

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    O EDITOR


    Léo Rodrigues

    Repórter da Agência Brasil, formado em Comunicação Social pela UFMG em 2010. Ex-jornalista da TV Brasil e do Portal EBC, onde também atuou como editor de esportes. Diretor de documentários cujo foco de interesse é a cultura popular, entre eles os longas "Aboiador de Violas" e "Pra fazer carnaval mais uma vez". Saiba mais

     

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