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"Somos a consciência do universo"

 
Léo Rodrigues | 27/10/2008 Entrevista publicada pelo jornal Boletim, da UFMG

Explosões de estrelas, colisões de galáxias e buracos negros. O universo revelado pela ciência moderna é estranho e belo. A próxima conferência do ciclo Sentimentos do Mundo, marcada para esta quarta-feira, dia 29 de outubro, às 11h, mostrará a linha tênue que divisa os seres humanos desse intrigante universo. No auditório da Reitoria, Joel Primack e Nancy Abrams abordarão o tema O novo universo: porque isso nos interessa aqui e agora.

Nancy e Primack: o homem é que dá sentido ao universo

Nancy e Primack: o homem é que dá sentido ao universo | Foto: divulgação

Joel Primack, expoente da teoria do Big Bang, é professor de física da Universidade da Califórnia. Nancy Abrams, advogada e escritora, estabelece interfaces entre as ciências exatas e as humanas, conferindo um toque poético e humanístico à ciência moderna. Nesta entrevista, eles discutem algumas idéias que permearão a conferência.

Vocês lançaram recentemente o livro intitulado Panorama visto do centro do universo – a descoberta de nosso extraordinário lugar no cosmos. O que seria este centro do universo?

Quando falamos de centro não nos referimos a um lugar geográfico. Pela teoria do Big Bang, o universo é tridimensional. Sua expansão se dá de maneira análoga e poderíamos dizer que todos os pontos do universo estão no centro. No nosso livro, consideramos os humanos como centro, baseados em diversos sentidos que derivam diretamente das leis da física e da cosmologia. Por exemplo, nossos corpos são feitos do mais raro material existente no universo: a poeira estelar, composta de átomos pesados criados nas estrelas e arremessados na explosão que gera a supernova. Na verdade, todo o planeta Terra é feito deste inacreditável material raro.

Mas vocês poderiam apontar outros elementos como centro, baseando-se em diferentes dados da física. Por que escolheram o homem?

Antigamente, todas as culturas consideravam que éramos o centro do universo. Era um pensamento natural decorrente da nossa característica de ter consciência. Somente com Newton pudemos perceber que vivíamos num planeta aleatório de uma estrela aleatória de um lugar qualquer. A ciência moderna havia desmitificado a idéia de conexão com o cosmo. Hoje, porém, o atual quadro da ciência e da cosmologia nos fornece uma nova e real forma de nos compreendermos como centro do universo. Nunca isso havia sido feito antes com rigor científico. Estamos resgatando a noção de relação com o cosmo, criando um sentido para a vida.

E qual a razão de se instituir um sentido cosmológico para a vida?

O homem sem cosmologia é como um diamante perto do topo de uma grande montanha, que valoriza o seu espaço e os outros cristais que o cercam, mas esquece da vista estupenda que está diante de si. Existe alguma coisa lá fora e podemos interpretar o que é. Temos o desafio de alcançar o significado que nossos ancestrais encontraram, mas de um jeito coerente com a realidade atual. Por isso, a ciência é uma aliada. Mas o que estamos procurando não é apenas um significado que nos faça viver bem. É também um significado que nos permita ter um mapa exato da realidade para salvar o planeta.

Isso significa dizer que a cosmologia contribui para a conscientização dos seres humanos na defesa do planeta?

Sim, e também contribui para entendermos os humanos como parte do planeta e do universo. Hoje, muitas pessoas, sobretudo ambientalistas, pensam que a Terra poderia ser melhor sem os seres humanos. Para nós, este é um terrível mal-entendido. Obviamente, não somos perfeitos e cometemos erros. Mas temos uma característica inexistente em qualquer outro ser conhecido do universo: a inteligência. Se o nosso surgimento aconteceu na Terra é porque ela é capaz de suportar esse experimento surpreendente. A experiência da vida inteligente dá ao universo um caminho próprio de olhar para si mesmo. Todos nós, e outros seres inteligentes que supostamente existem em outros planetas, somos a consciência do universo. O universo pensa por meio dos seres humanos. Sem nós, ele seria totalmente inexpressivo. Um planeta apenas com animais e plantas não teria sentido. E se essa idéia de um planeta sem pessoas tem significado é porque foi formulada por homens, no caso ambientalistas. Sem nós, ninguém poderia dar esse significado.

Por que a cosmologia defende que o homem precisa se ver como parte do planeta para mudar sua atitude em relação a ele?

O futuro é imenso. Nossa galáxia brilhará ainda por cerca de seis trilhões de anos. E nós temos uma responsabilidade com esse futuro. Os homens agem como se tivessem encontrado a Terra e ela pertencesse a eles. Mas somos resultado do contexto evolutivo, um trabalho de bilhões de anos de outros animais que se esforçaram para que seus descendentes pudessem crescer e reproduzir. Aí está a razão de alguns mitos religiosos serem terrivelmente destrutivos. Eles pregam: “Deus deu a Terra para os homens, dizendo-lhes para cuidarem dela”. Mas ela não nos foi dada. Somos nós que nos originamos dela. Quando pensamos assim assumimos a obrigação e o privilégio de passar isso às crianças, gerando o compromisso com a galáxia.

 

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Léo Rodrigues

Repórter da Agência Brasil, formado em Comunicação Social pela UFMG em 2010. Ex-jornalista da TV Brasil e do Portal EBC, onde também atuou como editor de esportes. Diretor de documentários cujo foco de interesse é a cultura popular, entre eles os longas "Aboiador de Violas" e "Pra fazer carnaval mais uma vez". Saiba mais

 

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