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Léo Rodrigues | 10/11/2008 Entrevista publicada pelo jornal Boletim, da UFMG

UFMG divulga dados do Programa de Bônus do Vestibular 2009,que beneficiará candidatos de escola pública

O sonho de alcançar uma vaga na universidade pública brasileira parece estar mais perto de se tornar realidade para 16.789 estudantes. Eles se candidataram ao vestibular da UFMG e, por terem cursado as quatro últimas séries do ensino fundamental e todo o ensino médio em escola pública, terão direito a uma bonificação extra no vestibular. São estudantes que, geralmente, não têm condições de arcar com os custos de uma instituição particular e vêem no acesso à universidade pública sua única oportunidade de ingressar no ensino superior.

De acordo com a Comissão Permanente do Vestibular (Copeve), 24.276 candidatos se inscreveram no Programa de Bônus, mas nem todos foram deferidos: 1.852 apresentaram documentos que não comprovam a trajetória escolar que daria direito ao bônus. Outros 5.635 não enviaram a documentação necessária à Copeve, o que, segundo o edital do concurso, impede que concorram ao benefício. Estes candidatos farão o vestibular nas mesmas condições daqueles que não se inscreveram no Programa.

Entre os estudantes beneficiados, 6.574 terão suas notas acrescidas em 10% – seus pontos serão multiplicados por 1,1. A pontuação de outros 10.215 será ainda maior. Por se autodeclararem negros ou pardos, suas notas serão multiplicadas por 1,15, perfazendo um bônus de 15%. Caso sejam aprovados no vestibular, os beneficiados pela bonificação deverão, no ato de matrícula, comprovar, mais uma vez, toda a trajetória acadêmica.

A coordenadora do Vestibular, Vera Resende, afirma que os números estão dentro do esperado. “O Programa de Bônus está sendo adotado pela primeira vez, o que torna impossível um prognóstico mais exato. Porém, os nossos números estão compatíveis com o registro de outras universidades. De qualquer maneira, só poderemos avaliar o potencial de inclusão do programa após o resultado final do vestibular”, pondera Vera Resende.

Inclusão ampliada

O debate da democratização do acesso ao ensino superior tem culminado, na UFMG, em medidas concretas de inclusão social. Em 2003, o Conselho Universitário decidiu que a criação de cursos noturnos seria uma prioridade. Atualmente, esta decisão constitui uma das premissas que orientam a implantação do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni). O mecanismo do bônus, por sua vez, foi aprovado pelo Conselho Universitário no dia 15 de maio de 2007, dando novos contornos à inclusão social na UFMG.

A bonificação no vestibular foi proposta pela Universidade após conhecer a experiência de outras instituições que já utilizam o sistema, como as universidades de Campinas (Unicamp) e de São Paulo (USP) e as federais do Rio Grande do Norte (UFRN) e Fluminense (UFF). A pontuação extra é concedida nas duas etapas. O sistema vai vigorar até 2012, quando o Conselho Universitário deverá se debruçar novamente sobre o tema e decidir se mantém, modifica ou descarta o mecanismo.

Democratização e mérito

O mecanismo de bônus foi proposto com o objetivo de aliar a democratização do acesso – por meio do ingresso de alunos que enfrentam dificuldades financeiras e enfrentam um percurso mais acidentado para entrar na universidade – à intenção de selecionar os alunos de maior potencial oriundos da escola pública.

Uma das preocupações que surgiram durante a elaboração da proposta foi evitar que fossem beneficiados alunos com boa condição socioeconômica provenientes de escolas públicas reconhecidas pela qualidade diferenciada, como o Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) e o Colégio Técnico da UFMG (Coltec). A solução encontrada foi exigir que o aluno tenha cursado também o ensino fundamental em escola pública.

Simulações realizadas pela UFMG apontam que o bônus permitiria a ocupação de metade das vagas da Instituição por estudantes egressos de escolas públicas. Sem o mecanismo, o percentual chega a 35%. Quando se analisam os cursos em separado, a expectativa é de que o impacto do bônus seja mais expressivo entre os cursos considerados mais elitizados. Em Medicina, por exemplo, os atuais 14% de estudantes oriundos do ensino público atingiriam 38%. Em Comunicação Social, o percentual de alunos egressos de escolas públicas saltaria dos mesmos 14% para 31%.

 

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O EDITOR


Léo Rodrigues

Repórter da Agência Brasil, formado em Comunicação Social pela UFMG em 2010. Ex-jornalista da TV Brasil e do Portal EBC, onde também atuou como editor de esportes. Diretor de documentários cujo foco de interesse é a cultura popular, entre eles os longas "Aboiador de Violas" e "Pra fazer carnaval mais uma vez". Saiba mais

 

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