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Léo Rodrigues | 24/11/2008 Notícia publicada pelo jornal Boletim, da UFMG

Pesquisa coordenada por professores da UFMG construirá perfil social de Belo Horizonte e de cidades do entorno

Diante dos desafios que os esperam, os prefeitos recém-eleitos na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) têm pelo menos um motivo para acreditar que a tarefa será menos árdua. Suas equipes de governo poderão contar, a partir de 2009, com um amplo conjunto de informações para subsidiar um início de mandato bem-sucedido.

Antônio Augusto Prates explica que dados devem subsidiar políticas públicas

Antônio Augusto Prates explica que dados devem subsidiar políticas públicas | Foto: Filipe Chaves / Cedecom UFMG UFMG

Trata-se de pesquisa que apresentará detalhado perfil da população residente na RMBH, configurando base essencial para a formulação de políticas públicas. A iniciativa é coordenada pelo Centro de Pesquisas Quantitativas em Ciências Sociais (CEPEQCS), composto por professores do Departamento de Sociologia e Antropologia da UFMG, com auxílio de especialistas do Departamento de Ciência Política.

A pesquisa, iniciada em 2002, é realizada a cada três anos e chega agora à sua terceira edição. Estão sendo aplicados 1.200 questionários entre os moradores da RMBH. A perspectiva é de que até abril de 2009 os dados já estejam sistematizados e apresentados publicamente. Serão coletadas informações sobre qualidade de vida, participação política, segurança e criminalidade, capital cultural, trabalho, raça, gênero, religiosidade, entre outros. “Já estamos em contato com instâncias públicas para realizar seminários de discussão de resultados. É importante que os dados levantados não sirvam apenas como pesquisa básica, mas que possam também subsidiar políticas públicas”, defende o professor Antônio Augusto Prates, subcoordenador do CEPECS, coordenado pela professora Neuma Aguiar.

A pesquisa tem também um fundo acadêmico. Os questionários são aplicados por estudantes da graduação e da pós-graduação em ciências sociais, treinados de acordo com os mais rigorosos procedimentos para a condução de entrevistas. A nova edição da pesquisa é financiada pelo CNPq. As anteriores foram apoiadas pela Fapemig e pelas fundações Tinker e Ford.

Social Hubble

O CEPEQCS utiliza a metodologia do survey, que consiste em investigação realizada por meio de pesquisa de campo, na qual a coleta de dados é feita com a aplicação de questionário ao público-alvo. Optou-se ainda por um tipo específico de survey, denominado longitudinal, pois utiliza questionários bastante semelhantes em todas as edições. A técnica permite averiguar as transformações ocorridas ao longo do tempo. “Não há no Brasil, e talvez na América Latina, uma pesquisa do porte e da importância desta que realizamos”, conta Antônio Augusto Prates.

A metodologia e o questionário aplicado pelo CEPEQCS são semelhantes aos utilizados em pesquisas feitas por instituições de Pequim, Varsóvia, Detroit e Cidade do Cabo. A partir daí, surgiu Social Hubble, observatório internacional que tem o objetivo de cruzar os dados dessas cidades.

Alguns temas de comparação são negociados. Nesta edição, por exemplo, ficou combinado com a Universidade de Cidade do Cabo, na África do Sul, a aplicação de perguntas idênticas sobre raça.

Pesquisa virou livro

Os dados coletados nas edições da pesquisa de 2002 e 2005 foram apresentados no livro Desigualdades sociais, redes de sociabilidade e participação política, organizado por Neuma Aguiar e lançado pela Editora UFMG no ano passado. A obra reúne as conclusões relativas aos tópicos pesquisados, dividas em capítulos e abordadas por professores e pesquisadores envolvidos no processo.

Leonardo Hipólito, Daniela Assunção e Ronaldo de Noronha se debruçaram sobre a tese do sociólogo francês Pierre Bourdieu, segundo a qual as variáveis socioeconômicas têm efeito significativo sobre a posse de capital cultural dos indivíduos e sobre a determinação dos gostos. Sustentando a reflexão de Bourdieu, eles perceberam que visitas a museus e a exposições de arte é um hábito que hierarquiza as classes sociais.

O trio constatou, ainda, que 38,2% dos entrevistados dizem gostar de música clássica, mas apenas 11,3% foram a um concerto nos dois anos anteriores à realização da pesquisa. A diferença se explica pela constatação de que a mídia recorre à música clássica em seus programas, gerando uma familiarização sonora que agrada aos ouvidos. Entretanto, a midiatização não supera a falta de domínio do código de apropriação simbólica desse bem cultural. Esta seria uma das causas de as pessoas não freqüentarem orquestras, uma vez que tais eventos dependem de capital cultural elevado.

No capítulo referente à participação política, os professores Carlos Ranulfo, Fátima Anastasia e Felipe Nunes identificaram elementos que contribuem para aumentar ou diminuir o interesse pelo universo da política. Ser bem informado, por exemplo, aumenta em 55% as chances de um indivíduo se engajar em uma causa. Outro fator relevante é a classe social: o índice de desinteresse entre os ricos alcançou 34,2%, ao passo que entre os pobres ficou em 13,2%.

 

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Léo Rodrigues

Repórter da Agência Brasil, formado em Comunicação Social pela UFMG em 2010. Ex-jornalista da TV Brasil e do Portal EBC, onde também atuou como editor de esportes. Diretor de documentários cujo foco de interesse é a cultura popular, entre eles os longas "Aboiador de Violas" e "Pra fazer carnaval mais uma vez". Saiba mais

 

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