Portfólio do editor em

Belo Horizonte,

Mapa do Blog | Avise Erros | Contato

COMUNICAÇÃO | SOCIEDADE | CULTURA | ESPORTE

 

SOCIEDADE


Saúde Compartilhar

Velha doença, novas vítimas

 
Léo Rodrigues | 01/08/2011 Notícia publicada pelo jornal Saúde Informa, da Faculdade de Medicina da UFMG

Pesquisa aponta relação entre o câncer de garganta e a disseminação do vírus HPV, e explica porque a incidência aumentou no público jovem

Uma nova preocupação está ganhando espaço nos círculos internacionais de oncologia: o aumento da incidência do câncer de garganta entre os jovens de todo o mundo. Recentemente, uma pesquisa apresentada em Chicago, durante o Congresso da Sociedade Americana de Oncologia, apontou uma relação entre a doença, o comportamento da juventude e o vírus HPV (papiloma vírus humano, na tradução em português), que pode ser contraído através de relações sexuais.

O HPV tem a capacidade de se incorporar à estrutura do DNA das células, o que altera os genes responsáveis pelo crescimento celular e provoca uma reprodução descontrolada. Ao observar esse fenômeno, o médico alemão Harald zur Hausen conseguiu provar a relação do vírus com o câncer de colo uterino, fato que acabou lhe valendo o prêmio Nobel de Medicina de 2008.

Células infectadas pelo vírus HPV. Sexo oral em número variado de parceiros pode aumentar o risco de contaminação. Vacina contra HPV existe.

Células infectadas pelo vírus HPV. Sexo oral em número variado de parceiros pode aumentar o risco de contaminação | Foto: Source BioScience

Mas a novidade que causou impacto em Chicago, apresentada por cientistas do Centro de Controle e Prevenção de Doença dos Estados Unidos, foi a constatação de que também há uma associação entre o câncer de garganta e o HPV. O oncologista André Murad, professor da Faculdade de Medicina da UFMG, explica que a pesquisa sugere uma mudança no comportamento sexual da juventude. “Os jovens hoje estão praticando mais sexo oral e, ao mesmo tempo, há um aumento no número de parceiros. Isso facilita a circulação do vírus e o seu alojamento próximo às células da garganta”, esclarece.

Até pouco tempo, o câncer de garganta era mais comum em pessoas acima dos 50 anos, fumantes e usuários de bebidas alcoólicas. O aumento da incidência entre jovens assustou os oncologistas e foi exatamente o que motivou a pesquisa. André Murad observa que a descoberta já está tendo forte impacto internacional, mas no Brasil a repercussão ainda é tímida. “Precisamos chamar atenção para essa pesquisa, porque ela permite aprimorar a prevenção e o tratamento deste tipo de câncer”, diz ele.

Diagnóstico e tratamento

O HPV pode ficar na sua forma latente por muitos anos, isto é, sem acarretar sintomas. Por isso, nem todo mundo que contrai o vírus irá desenvolver algum câncer. Isso facilita a contaminação, porque uma pessoa aparentemente saudável pode ser portadora e transmitir o vírus nas relações sexuais.

O exame capaz de detectar a doença é a biópsia e o diagnóstico precoce aumenta as chances de cura. “O câncer associado ao HPV é mais fácil de tratar e geralmente é superado com quimioterapia ou radioterapia. Principalmente no jovem que, em geral, possui uma saúde mais forte”, ressalta André Murad.

Segundo o professor, cerca de 80% dos cânceres de garganta diagnosticados no Brasil devem estar associados ao HPV. Por esta razão, ele faz o alerta para que otorrinolaringologistas, oncologistas e clínicos gerais não hesitem em pedir a biópsia em caso de suspeita. “Há médicos que julgam, equivocadamente, que o câncer de garganta é incomum nos jovens. Eles percebem a lesão, mas não levantam a possibilidade de ser um tumor. Até porque os sintomas são semelhantes ao de uma inflamação: dificuldade para engolir e irritação”, diz André Murad.

Existe vacina contra HPV

Como na maioria das doenças sexualmente transmissíveis, o uso do preservativo ajuda a evitar a contaminação. Mas há outros instrumentos de prevenção. O combate à disseminação do HPV pode ganhar novos contornos desde que a Anvisa aprovou, em maio, a aplicação da vacina no público masculino entre 9 e 26 anos. Até então, ela só estava liberada para mulheres. Mas a vacina só está disponível na rede privada, e custa cerca de R$900. André Murad defende que o governo ofereça o serviço. "Os cânceres associados ao HPV fazem vítimas suficientes para que o SUS forneça gratuitamente a vacina", avalia.

 

comments powered by Disqus

 

O EDITOR


Léo Rodrigues

Repórter da Agência Brasil, formado em Comunicação Social pela UFMG em 2010. Ex-jornalista da TV Brasil e do Portal EBC, onde também atuou como editor de esportes. Diretor de documentários cujo foco de interesse é a cultura popular, entre eles os longas "Aboiador de Violas" e "Pra fazer carnaval mais uma vez". Saiba mais

 

O BLOG


O trabalho do jornalista nunca é isento. Trata-se de um exercício constante de escolhas. Para onde apontar a lupa? De que ângulo posicionaremos a lupa? Este espaço surge a partir do interesse do editor em concentrar o seu acervo de produções jornalísticas e, ao mesmo tempo, propor coberturas e reflexões sobre comunicação, sociedade, cultura e esporte. Entenda melhor a proposta

 

QUEM É O EDITOR | PROPOSTA DO BLOG | MAPA DO BLOG | AVISE ERROS | CONTATO

Alguns direitos reservados
Todo o conteúdo deste site está publicado sob a Licença Creative Commons Atribuição 3.0 Brasil exceto quando especificado em contrário.
Permitida a cópia, redistribuição e alterações desde que se conceda os devidos créditos e mencione caso alguma adaptação tenha sido realizada.
Saiba mais como funciona a Licença Creative Commons Atribuição 3.0 Brasil