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Pesquisa avalia satisfação dos médicos no SUS-BH

 
Léo Rodrigues | 18/10/2011 Notícia publicada pelo jornal Saúde Informa, da Faculdade de Medicina da UFMG

Segundo o estudo, profissionais das unidades de emergência são os mais descontentes com o ambiente de trabalho

Você está satisfeito com o seu trabalho? Essa foi a pergunta que Rafael Brito Nery Ribeiro fez a diversos médicos do Sistema Único de Saúde de Belo Horizonte (SUS-BH). Em sua dissertação de mestrado, realizada junto ao programa de pós-graduação em Saúde Pública da Faculdade de Medicina da UFMG, ele decidiu utilizar uma metodologia científica para investigar até que ponto frequentes reclamações de colegas representavam, de fato, uma insatisfação com a profissão. A pesquisa selecionou por amostragem 266 médicos, sendo que 232 responderam ao questionário. Destes, 65% afirmaram estar satisfeitos com o exercício profissional.

Rafael Ribeiro explica que o resultado, se comparado com a realidade de outros países, traz um índice moderado. Na Índia, pesquisas indicam 44,8% dos médicos estão satisfeitos. No Japão, o percentual é de 55%. Por outro lado, um quadro mais positivo é observado nos EUA, com 75% de satistação, e na Austrália, que alcança 85,7%. “O resultado que encontrei é mais ou menos o que eu esperava. Eu achava que a situação fosse um pouco pior, devido às conversas informais de alguns colegas. De toda forma, o ideal seria que 100% dos profissionais estivessem satisfeitos. Nesse sentido, nosso quadro carece de melhora”, opina o pesquisador.

Para Rafael Ribeiro, o ideal seria que 100% dos médicos estivessem satisfeitos

Para Rafael, o ideal seria que 100% dos médicos estivessem satisfeitos

Foram avaliados diversos aspectos que poderiam ter impacto na satisfação dos médicos, tais como características do ambiente de trabalho, volume das demandas, estrutura organizacional, carga-horária, infraestrutura, relações sociais, estilo de vida, dentre outros. A pesquisa constatou que a frequência de insatisfação aumenta significativamente em três circunstâncias. A primeira delas é quando os médicos trabalham em unidades de urgência (UPAs). O índice também cresce entre os entrevistados com risco de desenvolver algum transtorno mental comum, tais como ansiedade, estresse, insônia e sintomas depressivos.

Uma terceira circunstância que eleva a frequência de insatisfação é quando o médico julga não estar sendo devidamente recompensado financeiramente. “É importante ressaltar que o valor do salário em si não teve relevância. Não interessa se o médico recebe 5 ou 10 mil reais. O que importa é a opinião dele sobre se essa quantia corresponde ao trabalho desempenhado. Por isso, o aumento da renda pode não ser uma estratégia suficiente para aumentar o índice de satisfação. É preciso observar as condições de trabalho”, explica Rafael Ribeiro.

Segundo o pesquisador, nenhuma característica pessoal ou de estilo de vida teve relevância para a satisfação com o trabalho. “Não importa, por exemplo, o estado civil ou a quantidade de filhos que o médico possui. Os hábitos e costumes também não tiveram relevância. Nesse estudo, não foram detectadas diferenças significativas entre os médicos sedentários e os que praticam atividades físicas, os que fumam e bebem e os que não fazem nada disso”, relata Rafael Ribeiro.

Orientações

Embora a pesquisa não tenha sido realizada com o objetivo de avaliar estratégias para melhorar o índice de satisfação dos médicos do SUS-BH, Rafael Ribeiro acredita que há algumas sinalizações e orientações. “No Brasil, há poucas pesquisas exploratórias como essa e é preciso aprofundar mais no assunto. Nós fizemos um diagnóstico inicial da situação municipal. Os resultados encontrados trazem, por exemplo, uma preocupação quanto ao trabalho nas UPAs e quanto ao estado de saúde mental dos médicos”, sugere ele. O pesquisador enfatiza que uma alta frequência de satisfação dos médicos com o trabalho pode ser um indicador de bom funcionamento do sistema de saúde, além de favorecer a fixação de profissionais no serviço. E ganha também o usuário, que passa a desfrutar de um melhor atendimento.

 

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Léo Rodrigues

Repórter da Agência Brasil, formado em Comunicação Social pela UFMG em 2010. Ex-jornalista da TV Brasil e do Portal EBC, onde também atuou como editor de esportes. Diretor de documentários cujo foco de interesse é a cultura popular, entre eles os longas "Aboiador de Violas" e "Pra fazer carnaval mais uma vez". Saiba mais

 

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