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Boicote a Israel é o foco da discussão no terceiro dia do Fórum

 
Léo Rodrigues | 01/12/2012 - 09:21 Notícia publicada pelo Portal EBC

A campanha global Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) foi lançada por palestinos e conseguiu a adesão de organizações e ativistas em todo o mundo. Os participantes defendem um boicote militar, comercial e acadêmico a Israel e já conseguiram a adesão de empresas e companhias europeias.

Porto Alegre - A principal conferência do Fórum Social Mundial Palestina Livre na manhã da sexta-feira (30) deu o indicativo do tema que mobilizaria as demais atividades do dia: o boicote a Israel. Durante mais de duas horas, os participantes reunidos na UFRGS ouviram lideranças palestinas e internacionais explicarem como algumas ações poderiam enfraquecer o governo israelense. À tarde, o debate alcançou os encontros menores, como no Sindicato dos Jornalistas, onde participantes da América Latina discutiam estratégias de solidariedade.

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  • Ali Abu Hilal, membro da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), foi um dos conferencistas da manhã e enfatizou a necessidade de articulação de uma rede internacional. "Os palestinos precisam contar com um apoio eficaz dos aliados árabes e dos ativistas dos países ocidentais. O boicote precisa unificar sindicatos, universidades, grupos culturais e organizações sociais. Precisamos pressionar nossos governos e empresas", disse ele.

    Entenda

    A campanha global Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) foi lançada por palestinos e conseguiu a adesão de organizações e ativistas em todo o mundo. Os participantes defendem um boicote militar, comercial e acadêmico à Israel. Para eles, manter negócios com o governo israelense é ser cúmplice das violações dos direitos humanos. "Nesse momento, precisamos concentrar esforços para que os países não assinem Tratados de Livre Comércio com Israel", disse Rafeef Ziadeh, ativista palestino que vive na Inglaterra.

    A mobilização tem dado resultado e já foi aderida por diversas empresas e companhias europeias. Em março desse ano, por exemplo, a Co-op, quinta maior rede inglesa de supermercados, anunciou a suspensão dos negócios com quatro empresas exportadoras de alimentos de Israel. Em nota, esclareceram que a medida foi tomada devido à "cumplicidade na violação de direitos humanos dos palestinos".

    No Brasil, os ativistas da BDS têm se manifestado contra a parceria do Governo Federal para a compra de armas da indústria bélica israelense.

    Polêmica

    Nas semanas que antecederam a organização do Fórum, a Federação Israelita e outras organizações fizeram pressão para que os poderes executivo e legislativo não cedessem espaços públicos para o evento. Segundo eles, ativistas envolvidos numa campanha de boicote não poderiam estar comprometidos com a paz.

    O presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil, Elayyan Taher Aladdin, rebateu as acusações. "Que paz é esta que não respeita as leis internacionais, os direitos humanos e a cidadania? Israel é um Estado fora-da-lei. O boicote é exatamente uma estratégia para desestruturar a militarização de Israel e, por isso, é um instrumento para construção da paz. É uma estratégia que já deu certo na luta contra o Apartheid, na África do Sul", argumentou Elayyan.

    A ideia de que Israel pratica um "regime de Apartheid" é compartilhada pelos participantes do Fórum. "Israel discrimina e segrega os palestinos da mesma forma como a África do Sul fazia com os negros", acusa Jamal Juma, coordenador da campanha Stop the Wall, que critica a construção do muro da Cisjordânia e demais violações dos direitos humanos.

    Neste depoimento em inglês, Jamal Juma explica a campanha Stop The Wall:

     

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    Léo Rodrigues

    Repórter da Agência Brasil, formado em Comunicação Social pela UFMG em 2010. Ex-jornalista da TV Brasil e do Portal EBC, onde também atuou como editor de esportes. Diretor de documentários cujo foco de interesse é a cultura popular, entre eles os longas "Aboiador de Violas" e "Pra fazer carnaval mais uma vez". Saiba mais

     

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