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Faculdade de Direito da UFMG institui comissão de sindicância para apurar trote

 
Léo Rodrigues | 19/03/2013 - 19:19 Notícia publicada pelo Portal EBC

Comissão terá 30 dias, prorrogáveis por mais 30, para apresentar um relatório conclusivo. O Diretorio Central dos Estudantes (DCE) publicou nota de repúdio. A entidade irá realizar um debate público sobre o tema

Caloura foi pintada e amarrada em correntes

Caloura foi pintada e amarrada em correntes | Foto: Reprodução / Facebook

A diretora da Faculdade de Direito da UFMG, Amanda Flávio de Oliveira, assinou nesta terça (19) a portaria que nomeia os integrantes da comissão de sindicância criada para apurar responsabilidades no trote realizado no dia 15 de março. Nos últimos dias, circularam na internet fotos do episódio, gerando repúdio de inúmeros internautas, que acusaram estudantes de práticas preconceituosas.

A comissão é formada por três professores. Eles deverão ouvir todos os envolvidos e levantar informações num prazo de 30 dias, prorrogáveis por outros 30.

A comissão deverá apresentar um relatório conclusivo com uma sugestão de penalidade, que será apreciado pelas instâncias deliberativas da Universidade. Segundo o Regimento Interno da UFMG, condutas agressivas e desrespeitosas com qualquer membro da comunidade acadêmica são passíveis de advertência, suspensão e até expulsão.

DCE publica nota de repúdio

Nesta segunda, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFMG manifestou repúdio ao trote. "A universidade passa hoje por um processo de transformação, incluindo cada vez mais os setores populares, excluídos dela até então. Este tipo de ação vai na contramão da universidade que acreditamos", registra a nota oficial.

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  • O texto exaltou também o papel histórico de Chica da Silva. O motivo da referência se deve ao fato de que, durante o trote, uma caloura recebeu uma placa com o nome da escrava alforriada, após ser pintada de preto e amarrada em correntes.

    O DCE termina a nota fazendo uma convocatória para "transformar dor em luta". A entidade irá realizar o debate público "Trote não é legal", no dia 26 de março. A atividade, divulgada no Facebook, acontecerá às 11h, na Praça de Serviços da UFMG. Segundo um dos diretores do DCE, Rodrigo Malta, o debate já vinha sendo planejado desde o semestre passado, mas foi antecipado devido aos acontecimentos recentes.

    - CONFIRA A ÍNTEGRA DA NOTA DO DCE:

    O Diretório Central dos Estudantes(DCE) da Universidade Federal de Minas Gerais repudia a ação dos estudantes da Faculdade de Direito responsáveis pelo trote com caráter altamente racista, machista e fascista.

    A universidade passa hoje por um processo de transformação, incluindo cada vez mais os setores populares, excluídos dela até então. Este tipo de ação vai na contramão da universidade que acreditamos e é fruto do pensamento conservador vigente, que não aceita as mudanças de caráter popular.

    Chica da Silva foi uma mulher lutadora, que se colocou contra o machismo e a escravidão do povo negro, por isso sua imagem representa um insulto ao pensamento conservador, pois traz à tona a figura da resistência negra e feminina. Sua imagem é referência para a cultura brasileira.

    A utilização de sua imagem como algo pejorativo é inadmissível e fere a história de nosso povo. Uma recepção de calouros que utilize dessa forma a sua imagem parece enaltecer a escravidão, já abolida no Brasil desde 1888, e mostra o quanto o racismo ainda faz parte do cotidiano da sociedade e da universidade brasileiras.

    Acreditamos também que a retomada das referências autoritárias fascistas, responsáveis pela repressão e extermínio de um povo num período histórico recente, não devem ser banalizadas. Da mesma forma, a inferiorização das mulheres não deve ser naturalizada, nem utilizada como uma ferramenta humorística.

    Preocupamos-nos com a formação ideológica dos indivíduos que compartilham deste pensamento e destas práticas, pois sonhamos com uma universidade igualitária e popular.

    Há que se transformar dor em luta. Não basta que nos indignemos com a situação posta, é necessária uma ação que traga o tema a público, para que assim possamos combater todas as formas de opressões e preconceitos, construindo uma nova universidade e sociedade.

    Pensando nisto, o DCE em conjunto com a Universidade, organiza um debate público com o tema em questão. Convidamos toda a comunidade acadêmica e a sociedade para a atividade “Trote não é legal” a ser realizada na terça-feira 26 de março, às 11h na Praça de Serviços da UFMG.

    A universidade precisa ser transformada.

    Belo Horizonte, 18 de março de 2013
    DIRETÓRIO CENTRAL DOS ESTUDANTES DA UFMG
    GESTÃO PÉS NO CHÃO

     

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    O EDITOR


    Léo Rodrigues

    Repórter da Agência Brasil, formado em Comunicação Social pela UFMG em 2010. Ex-jornalista da TV Brasil e do Portal EBC, onde também atuou como editor de esportes. Diretor de documentários cujo foco de interesse é a cultura popular, entre eles os longas "Aboiador de Violas" e "Pra fazer carnaval mais uma vez". Saiba mais

     

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