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Embrapa pretende desenvolver culturas agrícolas mais resistentes à escassez hídrica

 
Produção: Léo Rodrigues / Reportagem: Paula Ottoni | 19/03/2015 Notícia veiculada pela TV Brasil / Repórter Brasil

A manipulação genética de milho, arroz, feijão e café pode fazer com que estas plantas consumam menos água. O papel da agricultura na crise hídrica divide especialistas.

Irrigação brasileira trabalha atualmente com 18 mil pivôs-centrais em todo o território nacional | Foto: Otávio Nogueira / Creative Commons

Pesquisadores brasileiros vêm realizando uma série de estudos em melhoramento genético para desenvolver variáveis de diversas culturas agrícolas mais resistentes à escassez de água e às temperaturas elevadas. A manipulação genética do milho, arroz, feijão, soja e café podem fazer com que estas plantas consumam menos água, tenham maior sobrevida em situações de seca e, consequentemente, também contribuam para a redução do consumo geral de água pela agricultura. Cálculos da Embrapa feitos com base na produtividade média da soja mostram que somente esse grão acumulou no Brasil perdas de mais de US$ 8,4 bilhões em consequência de mudanças climáticas entre 2003 e 2013. Já a produção de milho perdeu mais de US$ 5,2 bilhões no mesmo período.

O Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) é um dos que desenvolvem essa linha de pesquisa, já tendo apresentado resultados concretos. Foram lançadas quatro variedades de feijão mais tolerantes a temperaturas elevadas e pesquisas realizadas no município de Varginha-MG buscam variedades de café mais resistentes à falta de água.

A Embrapa, em parceria com a Unicamp, criou a Unidade Mista de Pesquisa em Genômica Aplicada a Mudanças Climáticas (Umip Genclima), onde também são desenvolvidos estudos com a mesma perspectiva, com uma novidade. Os pesquisadores estão estudando o genoma de plantas típicas de regiões secas e quentes (como cerrado e caatinga) para saber quais os genes permitem a essas espécies sobreviver em condições adversas. Entre as espécies estão a seriguela, o umbuzeiro e o pequizeiro. Uma vez estes genes forem identificados e isolados, eles podem futuramente ser introduzidos nas principais culturas de nossa agricultura como milho, feijão, arroz e café. Segundo o pesquisador Eduardo Assad, esta segunda linha de pesquisa vem sendo conduzida há um ano e meio e conta com cerca de 15 cientistas de ponta.

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  • Todavia, Eduardo Assad ressalta que estes estudos, apesar de poderem potencialmente contribuir com a redução do consumo de água na agricultura, não é nenhuma panaceia para a crise de falta de água. Sobretudo porque, em sua opinião, o problema é de gestão e a solução para por uma série de medidas tais como a despoluição dos mananciais, reflorestamento das margens, a contenção dos vazamentos, etc. “Tomando estas medidas, o Brasil teria uma situação tranquila até mesmo para o alto gasto de água da agricultura”, garante.

    Agricultura: maior consumidora de água

    Atualmente, segundo relatório da ONU, 72% do consumo de água no Brasil se deve à agricultura. Também a Agência Nacional de Águas (ANA) informa que a irrigação é a maior usuária de água no país, que possui uma área irrigável de aproximadamente 29,6 milhões de hectares. No entanto, o pesquisador Eduardo Castanho, do Instituto de Economia Agrícola (IEA / SP), não concorda com a culpabilização da agricultura nessa crise da água. Segundo ele, a agricultura não provoca grandes perdas de água e contribui para o ciclo hidrológico natural, uma vez que o líquido é devolvido ao meio ambiente. “A água que cai no solo e não é consumida pelas plantas chega aos lençóis subterrâneos e volta aos mananciais”, explica.

    Para Eduardo Castanho, a agropecuária é sustentável e, ao invés de culpar um setor que representa de 25 a 30% do PIB, o foco deveria ser combater o que leva à perda de água, como a poluição e os vazamentos de tubulações.

    Esta argumentação não é compartilhada pelos defensores da agricultura familiar, setor que responde por cerca de 70% dos alimentos que chegam às mesas dos brasileiros segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Agrário. Neste cenário, sobram críticas à natureza do agronegócio, que é em sua maior parte voltado para a exportação.

    Além disso, o uso excessivo de fertilizantes e agrotóxicos gera preocupações em relação à contaminação de rios e lençóis freáticos. Diversos estudos realizados nos últimos anos, entre eles o Regulation of pesticides: a comparative analysis, publicado em 2013 pela Universidade de Oxford, apontam o Brasil como o maior consumidor de agrotóxicos em todo o mundo. Segundo o Atlas do Saneamento do IBGE, os resíduos de agrotóxicos e a destinação inadequada do lixo são responsáveis por 72% das incidências de poluição na captação em mananciais superficiais, 54% em poços profundos e 60% em poços rasos.

    Outra questão levantada pelos críticos do agronegócio são as perdas de água com irrigação, que não seriam tão irrisórias. Segundo eles, a necessidade de desenvolvimento da agricultura brasileira é patente e já existem boas tecnologias sustentáveis para serem adotadas que utilizam irrigação subterrânea ou por gotejamento (goteja somente onde é necessário). Mas no Brasil ainda se usa muita irrigação por aspersão e por pivô-central, sistemas que podem gerar desperdício de até 50% em função de condições climáticas, como temperatura e ventos.

    Um estudo divulgado no início deste mês pela Embrapa e pela ANA mapeou 18 mil pivôs-centrais em todo o país, sendo que 80% estão concentrados nos estados de Minas Gerais, Goiás, Bahia e São Paulo. Eles ocupam uma área de 1,18 milhão de hectares, o que representa um crescimento de 32% em relação a 2006.

    - Confira a matéria da TV Brasil, com produção de Léo Rodrigues e reportagem de Paula Ottoni:

     

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    Léo Rodrigues

    Repórter da Agência Brasil, formado em Comunicação Social pela UFMG em 2010. Ex-jornalista da TV Brasil e do Portal EBC, onde também atuou como editor de esportes. Diretor de documentários cujo foco de interesse é a cultura popular, entre eles os longas "Aboiador de Violas" e "Pra fazer carnaval mais uma vez". Saiba mais

     

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