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40 anos após o Acordo Nuclear Brasil-Alemanha, novas usinas podem sair do papel

 
Produção: Léo Rodrigues e Vivian Dias | 27/06/2015
* Reportagem: Maurício de Almeida / Edição: Carolina Pessôa
Notícia veiculada pela TV Brasil

Sudeste e Nordeste seriam as regiões prioritárias para receber novas usinas nucleares, pois tem menor potencial hidrelétrico e necessitam importar energia das demais regiões. Por enquanto, a retomada das obras de Angra 3 é o que há de concreto.

Canteiro de obras de Angra 3 | Foto: Eletronuclear / divulgação

A assinatura do Acordo Nuclear entre Brasil e Alemanha completa 40 anos neste sábado (27/06). Iniciativa do governo do General Ernesto Geisel, a parceria envolvendo os dois países se concretizou num contexto de total supremacia mundial dos EUA no campo tecnológico-industrial, particularmente no setor de energia nuclear. Até então o Brasil era um parceiro dos estadunidenses, chegando a acertar a compra de um reator para Angra 1. Mas com a crise do petróleo, os EUA tomaram a decisão de suspender o fornecimento de urânio enriquecido. Como reação, o Brasil voltou atrás e escolheu um novo aliado: o programa de construção de usinas passaria a ser desenvolvido juntamente com empresas alemãs.

A ideia inicial era instalar oito grandes reatores nucleares para a geração de eletricidade, permitindo desenvolver a tecnologia nuclear dentro do país. Porém, apenas Angra 1 e Angra 2 foram instalados. No entanto, o acordo segue de pé, garantindo a cooperação entre as empresas brasileiras e alemãs do setor, e é renovado automaticamente a cada 5 anos caso não exista nenhuma manifestação prévia em contrário.

Retomada de Angra 3

O Brasil tem recursos que permitiriam aumentar a aposta na energia nuclear. O país possui a sétima maior reserva de urânio do mundo. Também domina a tecnologia de enriquecimento de urânio, etapa mais cara do processo. No entanto, apenas a estatal INB (Indústrias Nucleares do Brasil), localizada na cidade de Resende-RJ, tem autorização para enriquecer urânio e somente agora no segundo semestre de 2015 irá fornecer pela primeira vez 40% da nova recarga de combustível para Angra 1. Os 60% restantes continuaram sendo enriquecidos por empresas contratadas no exterior e ainda não há previsão para que o INB atenda também Angra 2.

Aprimorando os recursos tecnológicos e apostando nas condições favoráveis oferecidas pelo país, o Governo Federal vem sinalizando para a retomada do Programa Nuclear Brasileiro. Em 2006, foi anunciada a intenção de construir mais sete usinas nucleares nos próximos 20 anos. Sudeste e Nordeste seriam as regiões prioritárias, pois tem menor potencial hidrelétrico e necessitam importar energia das demais regiões. Porém, até o momento, foram reiniciados somente os trabalhos de Angra 3, que estavam interrompidos.

- Confira as matérias da TV Brasil, com produção de Léo Rodrigues e Vivian Dias, edição de Carolina Pessôa e reportagem de Maurício de Almeida:

  • Repórter Brasil - Matéria 01
  • Repórter Brasil - Matéria 02
  • Repórter Rio
  • Quadro mundial

    Atualmente a energia nuclear no Brasil representa apenas 2,5% da produção, atrás da hidroeletricidade (71,8%), gás (13,1%), petróleo (6,1%) e carvão (3,1%). A capacidade energética de Angra 1 é de 640 mw e de angra 2 é 1350 mw. A expectativa, segundo o Plano Nacional Energético, é sair da atual capacidade de 1.990 mw para 7.347 mw em 2030.

    A aposta na energia nuclear é uma questão polêmica que tem provocado opções variadas no cenário mundial. Por um lado, o custo alto do kwh da energia nuclear e os riscos de acidentes; de outro, o alto potencial de geração energética e a independência de fatores climáticos. Neste cenário, a França começa a se estabelecer como líder na política nuclear mundial. Lá, mais de 70% da matriz energética é de fonte nuclear. No resto do mundo, existem cerca de 430 usinas nucleares, instaladas principalmente na América do Norte, Ásia e Europa.

    Fukushima

    A retomada de um Programa Nuclear não é uma decisão simples. O acidente nuclear ocorrido em 2011 em Fukushima, no Japão, trouxe um alerta internacional e provocou reações diversas ao redor do mundo. Se por um lado a França segue intensificando seu investimento e se tornando uma liderança no setor, justamente a Alemanha, parceira de longa data do Brasil, vem optando por um desligamento gradual de suas usinas.

    LEIA TAMBÉM:

  • Cientistas pedem acordo entre Brasil e Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear
  • Embora não exista unanimidade nem mesmo em torno dos aspectos econômicos, a maior polêmica envolve a questão ambiental. Por um lado, a energia nuclear é uma energia limpa que traz menos impactos ao ambiente do que hidrelétricas e termelétricas por exemplo. Mas em caso de acidente, a conta a ser paga é muito mais alta, como ocorreu na Pensilvânia (1979), em Chernobyl (1986) e agora em Fukushima (2011). Por isso, garantir a segurança é central para o desenvolvimento de um programa nuclear. Há treinamentos para funcionários das usinas que simulam casos de acidentes.

    Uma das promessas para a retomada do programa nuclear brasileiro era a construção de um depósito geológico para a alocação dos rejeitos radioativo. Atualmente, parte dos rejeitos das usinas é armazenado em estruturas temporárias.

    Impactos urbanos

    O risco de impacto no meio ambiente também não é o único. A instalação de uma usina também traz consequências para o meio urbano. Segundo o IBGE, Angra dos Reis é hoje a cidade do Rio de Janeiro com o maior percentual de domicílios em favelas. Dados do último censo realizado em 2010 apontam que, naquele ano, 34,2% das residências do município ficavam em aglomerados subnormais, ou seja, 18.341 dos 53.575 domicílios. Para comparação, a capital fluminense tem um índice relativamente menor: 19,9%.

    Pesquisadores apontam as construções de Angra 1 e Angra 2, nas décadas de 70 e 80, e o crescimento do turismo na década de 90 como os principais fatores que motivaram uma intensa migração para o município. Daí a preocupação com Angra 3, que tinha estimativa inicial de custo superior a R$7 bilhões e que previa utilizar 9 mil funcionários no auge das atividades. Considerando ainda os empregos indiretos gerados pelo empreendimento, é preciso investir na infraestrutura da cidade e prepará-la para receber novos migrantes, dando condições para que eles não se instalem nas encostas e morros.

     

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    O EDITOR


    Léo Rodrigues

    Repórter da Agência Brasil, formado em Comunicação Social pela UFMG em 2010. Ex-jornalista da TV Brasil e do Portal EBC, onde também atuou como editor de esportes. Diretor de documentários cujo foco de interesse é a cultura popular, entre eles os longas "Aboiador de Violas" e "Pra fazer carnaval mais uma vez". Saiba mais

     

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